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Ortopedia Pediátrica

Doença de Perthes (Legg-Calvé-Perthes): o quadril da criança que manca

Escrito e revisado por Dr. Rafael Vargas — Médico · CRM-SP 226103 · RQE 137901

A criança começou a mancar e a se queixar de dor no quadril, na coxa ou até no joelho — e o exame apontou a doença de Perthes. O que é isso, é grave, tem sequela? A doença de Legg-Calvé-Perthes é uma condição do quadril infantil em que a cabeça do fêmur, temporariamente, perde parte da sua irrigação de sangue. Ela passa por fases ao longo de meses a anos, e o objetivo do acompanhamento é proteger o formato dessa cabeça enquanto ela se recupera. Este texto explica, de forma educativa, o que acontece, os sinais, as fases e como costuma ser o tratamento.

O que é a doença de Perthes

Na doença de Perthes, o fluxo de sangue para a cabeça do fêmur — a "bolinha" que se encaixa no quadril — é interrompido por um tempo. Sem irrigação suficiente, parte desse osso enfraquece; depois, o corpo reabsorve o osso afetado e o substitui por osso novo, num processo que leva tempo. É por isso que se fala em fases: perda de irrigação, fragmentação, reconstrução e, por fim, remodelação.

A causa exata de por que a irrigação é interrompida não é totalmente conhecida. A condição costuma aparecer na infância, com predomínio em meninos, e afeta em geral um quadril.

Os sinais: mancar e dor (às vezes no joelho)

O primeiro sinal costuma ser o mancar, que pode surgir até antes de a criança se queixar de dor forte. Quando há dor, ela aparece no quadril, na virilha ou — de forma que engana muitos pais — na coxa e no joelho, por dor referida. Uma criança com dor persistente no joelho, sem alteração no próprio joelho, merece ter o quadril examinado.

Costuma-se notar também limitação de alguns movimentos do quadril e piora com a atividade, com alívio no repouso. Esse padrão de mancar com dor referida se conecta ao panorama do artigo "Criança mancando: o que pode ser em cada idade e quando é urgência", que organiza as causas por faixa etária.

Convive com essa condição ou cuida de quem convive? Uma avaliação especializada ajuda a entender as opções para o seu caso — presencial em São Paulo ou por teleconsulta.

As fases e por que o acompanhamento é longo

A doença de Perthes não se resolve em dias: ela percorre suas fases ao longo de meses a alguns anos, até a cabeça do fêmur se reconstruir e remodelar. Por isso o acompanhamento é prolongado e feito com radiografias repetidas — o que importa não é uma imagem isolada, e sim como a cabeça femoral evolui ao longo do tempo (a imagem de raio-X aqui é o instrumento de acompanhamento, não um retrato único).

O grande objetivo desse acompanhamento é manter a cabeça do fêmur bem "contida" e esférica enquanto ela se recupera, porque o formato final é o que mais influencia como o quadril vai funcionar no futuro.

Como costuma ser o tratamento

O tratamento é individualizado e depende da idade, da fase e de quanto da cabeça femoral está envolvido. Em muitas crianças, especialmente as mais novas, a conduta é mais conservadora: controle da dor, ajuste das atividades, fisioterapia para manter a amplitude de movimento e acompanhamento regular. Em outros casos — crianças mais velhas ou com maior comprometimento —, pode-se indicar procedimentos para manter a cabeça do fêmur bem contida no quadril durante a recuperação.

É honesto dizer que a evolução varia bastante de criança para criança, e que o resultado depende muito da idade de início e do formato com que a cabeça femoral se remodela. Não há uma receita única, e o plano é sempre construído caso a caso. Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e não substitui avaliação médica individualizada.

Para seguir a leitura

Se o ponto de partida foi a criança mancando, "Criança mancando: o que pode ser em cada idade e quando é urgência" reúne as causas por idade e os sinais de alerta. Para outra condição importante do quadril na infância, avaliada cedo, veja "Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ): por que avaliar cedo faz diferença". E, para saber quando um sintoma na criança merece ida ao especialista, "Quando levar a criança ao ortopedista: sinais que merecem avaliação".

Referências

  1. Doença de Legg-Calvé-Perthes (Perthes Disease) — AAOS OrthoInfo
  2. Doença de Legg-Calvé-Perthes (Legg-Calve-Perthes) — MedlinePlus
  3. Doença de Legg-Calvé-Perthes — Manual MSD (versão para a família)

Este conteúdo é informativo e educativo, não substitui a consulta médica presencial nem estabelece relação médico-paciente. Cada caso exige avaliação individual; não há garantia de resultado.

Dr. Rafael Vargas — Médico · CRM-SP 226103 · RQE 137901 — Ortopedia Pediátrica · Reconstrução e Alongamento Ósseo — São Paulo

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