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Ortopedia Pediátrica

Fratura na placa de crescimento da criança: por que preocupa e o risco de deformidade

Escrito e revisado por Dr. Rafael Vargas — Médico · CRM-SP 226103 · RQE 137901

Meu filho fraturou perto da cartilagem de crescimento — isso pode deixar sequela? É uma preocupação legítima: as fraturas da criança não são "versões menores" das do adulto, e algumas atingem justamente a região responsável pelo crescimento do osso. Na maioria das vezes, tratadas de forma adequada e acompanhadas, essas fraturas evoluem bem. Mas é verdade que uma parcela delas pode interferir no crescimento — e é por isso que merecem um olhar de ortopedista, com acompanhamento ao longo do tempo. Este texto explica o que é a placa de crescimento, por que essas fraturas são diferentes e quando elas podem deixar deformidade ou diferença de comprimento.

O que é a placa de crescimento (fise)

Perto das extremidades dos ossos longos das crianças existe uma faixa de cartilagem chamada placa de crescimento, ou fise. É ali que o osso ganha comprimento durante toda a infância e a adolescência, até "fechar" ao fim do crescimento. Por ser cartilagem, a fise é uma região mais frágil que o osso já formado — e, num trauma, ela pode ser justamente a parte que cede.

Isso explica por que muitas fraturas infantis passam por essa região: a placa de crescimento é, ao mesmo tempo, o motor do crescimento e um ponto de menor resistência do osso jovem.

Por que as fraturas da criança são diferentes

O osso da criança tem duas particularidades que mudam tudo. A primeira é positiva: ele consolida mais rápido e tem uma capacidade notável de remodelar — ou seja, pequenos desvios podem, em muitos casos, se acertar sozinhos com o crescimento. A segunda pede atenção: quando o traço da fratura envolve a placa de crescimento, existe a possibilidade de a fise ser afetada.

Por isso a mesma queda pode ter significados diferentes conforme onde e como o osso quebrou. Uma fratura que passa pela fise é avaliada com cuidado especial, e o tratamento busca deixar essa região o mais bem posicionada possível.

Convive com essa condição ou cuida de quem convive? Uma avaliação especializada ajuda a entender as opções para o seu caso — presencial em São Paulo ou por teleconsulta.

Quando pode deixar sequela

A sequela mais temida é o fechamento precoce de uma parte da fise: se um trecho da placa de crescimento para de crescer enquanto o resto continua, o osso pode crescer de forma desigual. Dependendo de qual parte é afetada, isso pode levar a um osso que cresce torto (uma deformidade angular progressiva) ou mais curto que o do outro lado — a discrepância de comprimento dos membros, tema do artigo "Discrepância de comprimento dos membros ('perna mais curta'): o que é e quando avaliar".

Vale a proporção correta: isso acontece sobretudo quando a placa de crescimento está muito envolvida na fratura ou quando o trauma foi de alta energia. A maioria das fraturas fisárias, bem conduzida, não deixa esse tipo de sequela. Mas, como o efeito no crescimento pode aparecer meses depois, o acompanhamento ao longo do tempo é parte do tratamento — não um excesso de zelo.

Por que avaliar (e acompanhar) cedo faz diferença

Diante de um trauma na criança com dor localizada, inchaço e recusa de usar o membro, vale a avaliação de um ortopedista — o mesmo princípio geral do artigo "Quando levar a criança ao ortopedista: sinais que merecem avaliação". Confirmada uma fratura perto da fise, o acompanhamento programado permite flagrar cedo qualquer alteração de crescimento e agir enquanto as opções são mais simples. Detectar uma deformidade ou uma diferença de comprimento no início costuma abrir caminhos de correção menos complexos do que quando ela já está estabelecida.

Cada fratura é única, e o plano — inclusive por quanto tempo acompanhar — é individual. Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e não substitui avaliação médica individualizada.

Para seguir a leitura

Se a preocupação é a diferença de comprimento entre as pernas que pode surgir de uma lesão da fise, "Discrepância de comprimento dos membros ('perna mais curta'): o que é e quando avaliar" aprofunda o tema. Para o panorama das deformidades que se acompanham ao longo do crescimento, veja "Deformidades dos membros na infância: por que acompanhar ao longo do crescimento". E, para saber quando um sintoma na criança merece ida ao especialista, "Quando levar a criança ao ortopedista: sinais que merecem avaliação" reúne esse mapa.

Referências

  1. Fraturas da placa de crescimento (Growth Plate Fractures) — AAOS OrthoInfo
  2. Fraturas da placa de crescimento — Manual MSD (versão para a família)
  3. Fraturas em crianças — Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica (SBOP)

Este conteúdo é informativo e educativo, não substitui a consulta médica presencial nem estabelece relação médico-paciente. Cada caso exige avaliação individual; não há garantia de resultado.

Dr. Rafael Vargas — Médico · CRM-SP 226103 · RQE 137901 — Ortopedia Pediátrica · Reconstrução e Alongamento Ósseo — São Paulo

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